quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

CATÓLICOS SOCIALISTAS

 

                                    

Num país que é cristão ou que aparenta,

os ímpios para sua promoção

e pra levarem água ao seu moinho,

precisam da caução

dum pouco de água benta,

mesmo só de um borrifo, de um cheirinho.

 

E os católicos ditos socialistas,

em terno apaparico,

prestam-se ao frete, fazem-lhes o jeito,

com desgosto de Deus e o Mafarrico

a esfregar as mãos de satisfeito.


 

CORONAVÍRUS

 

                                  Impante de ciência

e de tecnologia empanturrado,

embriagou-se de auto-suficiência,

colocou Deus de lado.

 

E bastou um micróbio infinitésimo

pra o levar à falência

para ser derrubado.

 

O homem só se eleva e engrandece,

só fica imunizado,

quando reza uma prece,

ajoelhado.




LÁGRIMAS POR VALENTINA

 

 

Adorável criança,

nos seus verdes nove anos de estatura,

aconchegando ao peito

o seu gatinho, cheia de ternura.

 

E enquanto esse retrato da menina,

desaparecida e procurada,

pela televisão era emitido,

já ela era cadáver, tendo sido

às mãos do próprio pai estrangulada.

 

A madrasta ajudou nesse suplício,

e aos olhos suplicantes da menina

a pedir salvação,

foi tão luciferina

que não lhe deu a mão.

 

Pai e madrasta monstros

que as leis da natureza desafiam,

pois no reino animal as próprias feras

não fazem isso às crias que procriam.

 

Meu Senhor e meu Deus,

Tu que és um Deus de amor, um Deus clemente

porque é que permitiste

que no altar do demónio

fosse imolada esta inocente?




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

A Língua da Bastonária

 

 

Eu não julgava possível

em boca de bastonária

tamanha falta de nível,

linguagem tão latrinária.

 

É caso para ficarmos

todos muito apreensivos

caso ela fale assim

cos doentes de Covid

em cuidados intensivos.

 

Com essas cavalidades

vai ser tal o estupor

que lhes corta o oxigénio

e vão desta pra melhor.

 

Ou a Ordem põe na ordem

a alimária dita cuja,

ou então a bastonária

põe a Ordem toda suja.

 

 Flávio Vara

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

"Palavra Dada É Palavra Honrada" (António Costa)

  

 

Honra da palavra dada

como a donzela há-de ser:

quando a donzela é honrada,

não precisa de o dizer.

 

Se uma donzela proclama

a sua honra impoluta,

já foi com muitos prà cama,

teme que lhe chamem puta.

 

E se um político mula

a “palavra honrada” invoca,

com palavras dissimula

a sua honra badalhoca.

 

 

 

In: Flávio Vara, A Nata do Povo, Ed. Chiado, 2018

 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

A Vacina


O autarca de Reguengos, 
José Calixto chamado, 
não era prioritário 
e nem valetudinário, 
contudo foi vacinado. 

E eu que sou dos de risco 
e estou, às duas por três, 
em perigo de quinar, 
digam-me lá: quando chega, 
a vez de me vacinar? 

 - Calminha, não tenha inveja, 
saiba que, pra quem não seja 
tão listo como o Calixto 
nem compadre alentejano, 
a vacina para o bicho 
só chega daqui a um ano. 

 - Porra, vão para o diabo, 
daqui a um ano estou morto 
burro morto, vacina ao rabo. 


Flávio Vara

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Cantares de José Afonso

Para além das edições da Nova Realidade (Tomar, 1966 e 1967) e da Fora de Texto (Coimbra, 1994 e 1995), prefaciadas por Manuel Simões, a obra poética Cantares de José Afonso teve, em 1968, uma edição clandestina  da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, que Flávio Henrique Vara sintetiza no preâmbulo:


(,,,) Reúnem-se aqui as letras das canções de José Afonso. Claro que elas são apenas um corpo à espera de ser habitado pela sua voz mágica e castigada, e que teráo como natural complemento os respectivos discos, editados ou a editar. Mas esse corpo possui qualidades literárias suficientes para justificar a sua publicação independentemente da música. E ainda aqui José Afonso continua a ser um exemplo para a indigência, que roça por vezes o impudor, da generalidade das letras da música nacional.

É, aliás, nas letras que melhor se evidencia aquele tacto invulgar com que José Afonso sabe ir ao encontro do povo, quer na exploração dos motivos, quer na forma como os interpreta. Povo gerado e modelado em convívio com o mar, tinha fatalmente que exibir as suas marcas nas várias manifestações da sua cultura. Na poesia o mar yem sido uma das notas mais obsidiantes. Não é, pois, gratuita a abundância nos Cantares de elementos como praias, barcos, sereias, marinheiros, despedidas; nem outrossim é gratuita a presença de certos símbolos do maravilhoso popular como moiras encantadas, cavaleiros, feiticeiras. José Afonso continua-os e moderniza-os, inserindo-os na realidade actual, em tons de ironia magoada.

Simultâneamente os seus versos abrem-se a figuras ou heróis populares da nossa história recente (Catarina de Baleizão, António Aleixo); aos problemas e dramas do quotidiano (vampiros, emigrantes, "meninas perdidas", mendigos); e à sua experiência docente em diversas paragens (presença da infância, temas extra-metrópole, etc).

A forma casa-se à maravilha com a temática: versos simples e curtos, com predomínio do mais vincadamente popular, o redondilho; repetições paralelísticas com reminiscências da lírica trovadoresca; frequência de estribilhos e refrões; toadas de cancioneiros, de jogos de roda, de canções de embalar, parte delas recolhidas, conforme testemunho do autor, directamente do povo. E, quer originais quer adaptações ou arranjos, todos os poemas são sujeitos a uma sábia elaboração de acordo com as exigências do canto, e cujo resultado é esse consórcio perfeito da letra e da música, só possível a alguém que consiga combinar o talento de alto poeta com o de grande cantor. Este é o dom de José Afonso, menestrel dos tempos modernos. (...)

Leia o texto completo aqui. Na altura, José Afonso ofereceu ao autor do preâmbulo um exemplar autografado desta edição clandestina. 
 

Ligações:  Associação José Afonso - Bibliografia; José Afonso, Cantares (Triplo V); Livro "Cantares de José Afonso" (Tributo a Zeca Afonso); Cantares (in-libris); Um história de jovens que queriam uma Nova Realidade (antes do 25 de Abril) – por Flamarion Maués (A Viagem dos Argonautas). 


sábado, 23 de janeiro de 2021

Horresco Referens

 

A besta do Apocalipse, 

na forma Trump, chegou; 

foi o povo americano, 

com seu voto soberano, 

que o pariu ou defecou. 


 A um ser tão escabroso 

nem sequer o Cão Tinhoso 

no Inferno deu guarida; 

recambiou-o para o mundo 

pra nos infernar a vida.



In
: Flávio Vara, A Nata do Povo, Ed. Chiado, 2018

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Soneto ATRUMPado

 

Boçal, atrabiliário, fanfarrão, 
convencido, nojento, chauvinista, 
caprichoso, garoto, vigarista, 
 xenófobo, racista, aberração. 

Ignorante, misógino, histrião, 
vaidoso, abominável, populista, 
primário, leviano, narcisista, 
demagogo, machista, charlatão. 

Pato bravo, inepto, repugnante, 
megalómano, rasca, trauliteiro, 
caricato, burlesco, nauseabundo. 

Egocêntrico, bronco, petulante,
ferrabrás, cabotino, trapaceiro, 
paranoico, palhaço, porco imundo. 


 In :  Flávio Vara, A Nata do Povo, Ed. Chiado, 2018

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

O Baton Dá O Tom


Só porque o André Ventura 
falou em lábios pintados,
os betos da extrema-esquerda
ficaram mais que estragados.

Vai daí machos e fêmeas
pintaram a embocadura
com baton e em resposta
às blasfémias do Ventura.

E o venturoso André,
que só queria berlinda,
agradece aos batoneiros
uma oferenda tão linda.

O Ventura é demagogo,
mas a esquerda fracturante
cai nela, apara-lhe o jogo,
dá toda a guita ao tratante.

 
Flávio Vara


domingo, 17 de janeiro de 2021

Cantigas, ó Rosa

Dei-me ao trabalho de ler, no Público de quinta-feira, o extenso, meandroso e pernóstico relambório do ex-director-geral da Política de Justiça, e relativo aos anteriormente "lapsos" , aos agora "erros" e aos futuros (...?), no currículo do candidato português a procurador europeu. 

Não lhe faltaram até eruditas citações, como esta de Bento de Jesus Caraça "Se não receamos os erros , é porque estamos sempre prontos a corrigi-los." (Comovente humildade!). Tantos esforços e contorções para branquear  "uma decisão política, democrática, legal, justificável e transparente". 

Porque será que no fim, e mesmo assim, não me convenceu o seu latim? Porque, curiosamente, me lembrou este provérbio latino "Excusatio non petita, accusatio manifesta", ou seja, em português vernáculo: "Uma desculpa não pedida é uma acusação manifesta".

Ligações: Público carta ao director (16 Jan 2021); Outras cartas ao Director do Público de Fávio Vara.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

E viva a Chica

 

Ministério da Justiça?
Chiça, que grande pivete,
donde vem um tal mau cheiro?
Vem de um certo Gabinete
que a Chica tornou chiqueiro.
 
Na batota e no cambão
quem a consegue igualar?
Apenas o seu patrão
com quem faz um lindo par.
 
A Chica bem merecia
uma boa chicotada,
mas na pandilha amiguista
é dos primeiros na lista
e muito apaparicada.

Flávio Vara

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Latinismos e moralismos

Em texto aqui publicado em 22-12-20, mencionei a expressão latina canes muti non volentes latrare, que é uma injunção bíblica e metafórica dirigida àqueles que, investidos em altas funções e devendo erguer a sua voz quando se torna necessário, não o fazem. O sr. António Cândido Miguéis (ACM), na sua epístola de 28-12-20, invectiva-me por eu não ter traduzido a expressão para português, “porque nem todos os eleitores do PÚBLICO estudaram latim” e porque, com essa frase, por ele considerada “quase injuriosa”, eu “exprobrei” os nossos bispos e cardeais. Ora o sr. ACM compreendeu perfeitamente a frase, e se o fez sem ter estudado latim, só me vem dar razão: não necessitava de ser traduzida; se o fez com conhecimento do idioma de Cícero, então entendeu-a de modo excessivo: viu nela o que lá não estava, ou seja, a “exprobração” aos nossos antístites. 

Uma das razões pelas quais eu não traduzi a expressão foi para não subestimar o entendimento e a literacia dos leitores (a bom entendedor meia palavra basta). E o sr. ACM até me devia agradecer o não ter menosprezado o seu acerado entendimento. Entendimento a cuja performance só faltou entender que, a haver naquela expressão latina algum resquício de “exprobração”, a responsabilidade deve ser pedida à Sagrada Escritura e não a mim.

domingo, 27 de dezembro de 2020

A Torre Bela e a alma

Imaginemos, por momentos, que as imagens que vimos na TV da carnificina na Torre Bela, em vez de serem cadáveres de gamos, veados e javalis, eram de homens, mulheres e crianças. Não nos passaria pela cabeça que seriam o resultado de um ataque de animais selvagens. Estes, quando matam as suas presas, não o fazem em tão larga escala, só matam por necessidade de defesa ou de subsistência, não dispõem os corpos alinhados em filas daquela maneira e, sobretudo, não matam por prazer, por desporto ou para fazerem colecção das suas vítimas.

São, segundo nós dizemos, animais “irracionais”. E, todavia, têm alma como nós. A palavra “animal” vem do latim anima, que significa alma, e quer dizer isso mesmo: dotado de alma. Por ter escrito isso num jornal da minha terra, escandalizei muitas almas pias e até fui chamado à pedra por um senhor cónego, vigário geral da diocese. Verdade seja dita que na conversa que tive com ele, e sem embargo da sua baixa literacia teológica, e de ser um salazarista impenitente, até me pareceu uma boa alma e por certo neste momento está no céu em alma e corpo.
 
Para afirmar que os nossos irmãos “irracionais” são também portadores de alma, nem precisamos de nos respaldar em renomados teólogos. Sentimo-lo e intuímo-lo quando somos atravessados pelo olhar de um cão abandonado, quando nos arrepiamos com as sevícias a que são sujeitos os touros nas arenas, quando nos deliciamos a ver o modo como as aves alimentam no ninho os seus filhotes e como outros animais defendem até à morte as suas crias. 

Porém, diante daquelas imagens que vimos na TV, eu já começo a duvidar que todos os animais sejam dotados de alma. Mas, a haver alguma espécie que o não seja, não tenho quaisquer dúvidas: trata-se do homo sapiens. Bom Natal.

Ligações: Público, carta ao director (27 Dez 2020); Outras cartas ao Director do Público de Fávio Vara.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

E os nossos bispos e cardeais?

A população do nosso país é constituída na maioria por católicos, numa proporção que anda pelos oitenta por cento, segundo as estatísticas. Consequentemente é presumível que o bando de algozes que trataram e mataram o imigrante ucraniano Ihor Homenyuk e tentaram ocultar a sua tenebrosa façanha, era, na sua maioria, composto por baptizados e, quiçá, alguns até fossem à missa.

Os católicos dizem-se cristãos e uma das mais valiosas heranças da cultura cristã, e tradição já herdada dos antigos tempos bíblicos, é o acolhimento fraterno aos estrangeiros, aos migrantes, aos refugiados, aos peregrinos. A hospitalidade é para o cristão um dever sagrado; dar pousada a um expatriado é como uma visita de Deus a nossa casa.

O crime inominável perpetrado no SEF é um golpe cravado no âmago da mensagem evangélica, um buraco negro na mundividência cristã. Amarfanha-nos, interpela-nos. O Papa Francisco foi a Lampedusa testemunhar a sua vergonha pela forma como a Europa, que se reclama da "civilização cristã", trata os emigrantes e na sua recente encíclica Fratelli Tutti dedica largo espaço ao assunto. E entre nós onde param os hierarcas da igreja? Eu esperava que se manifestassem para me sentir mais acompanhado, mas até agora, como em muitas ocasiões, só vejo canes muti non volentes latrare. Este crime não os concerne? É para não se imiscuírem na política? Mas a política impede alguém de exprimir os seus sentimentos, de se condoer, de se exasperar, de chorar?

Ligações: Público carta ao director (28 Dez. 2020); Outras cartas ao Director do Público de Fávio Vara.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Dois colunistas que muito prezo

Independentemente da adesão ou não adesão às posições ideológicas de dois conspícuos colunistas do PÚBLICO, ambos de apelido Tavares, um de nome João Miguel e outro de Rui, é de flagrante interesse, maxime para quem seja apreciador de performances retóricas, a análise da argumentação brandida por cada um dos dois contendores nos respectivos textos que deram a lume neste jornal, nos dias 24 e 25 do corrente mês, a propósito do venturoso partido Chega. 

O esgrimir de razões, o virtuosismo dialéctico, os golpes de judo mental, a maneira como um trunfo se pode virar ao contrário, bem merecem ser estudados nas disciplinas literárias das nossas faculdades. Os mestres dessas matérias teriam aí um oportuno case study para utilizarem nas aulas práticas.

Ligações: Público carta ao director (30 Nov2020); Outras cartas ao Director do Público de Fávio Vara.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Os Juízes, o Estatuto e o Conduto

Os nossos meritíssimos juízes são, como todos sabem, os servidores do Estado mais mal pagos, podendo até, nos escalões superiores da sua carreira, ultrapassar o vencimento do Primeiro Ministro. 

É por isso que, desde que os conheço, os vejo permanentemente a reclamar o reconhecimento da sua dignidade. E em que consiste a dignidade de Suas Meritíssimas Exc.ªs? Inibem-se de o dizer à s claras, não se vá pensar que maculam a sua dignidade com algo de impuro. Temos de ler nas entrelinhas do seu discurso, como por exemplo, no artigo do juiz Filipe César Marques (Público de 20-11-2018), quando reclama a “densificação”(?!) do respectivo Estatuto e compara os juízes portugueses aos magistrados de outros países da União Europeia, em vez de os comparar ao nível de vencimentos dos servidores do estado do nosso país.  

E em que consiste a tal “densificação”, um termo tão eufemisticamente curioso? Consiste em adicionar o conduto ao Estatuto, sendo que, no caso, conduto é igual a cum-quíbus. 

Eu cá não sou de intrigas, mas aposto com quem quiser, dobrado contra singelo, que as Meritíssimas Exc.ªs que fazem greve por causa de um Estatuto sem conduto,Zz deixariam de a fazer se lhe dessem um conduto sem Estatuto.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Amicus certus in re incerta cernitur


 Amicus Certus * 
(para o Amílcar, em 24-11-20, dia do seu aniversário, com um abraço.) 

Tal é a velocidade 
do ritmo de mutação 
nesta era digital
que até a própria amizade 
já se tornou virtual.  

Amigos de carne e osso
e para as ocasiões
já são uma raridade
são apenas excepções. 

Por isso muito me prezo
de contar entre os amigos
um desses excepcionais,
como é o Amílcar Morais,
inteiriço, dos antigos. 


 *Amicus certus in re incerta cernitur (provérbio latino que significa: os verdadeiros amigos conhecem-se na adversidade). 


sábado, 12 de setembro de 2020

A cidadania e outras coisas

Vai por aí uma grande rebaldaria por causa de um prato gastronómico, que consta no cardápio educativo, com o nome de “Cidadania e Desenvolvimento”. A coisa chegou a tal ponto que a deputada Isabel Moreira (a mosca acorre ao mel e à fracturância acorre a Isabel) que é fã do acepipe, atribui aos seus opositores labéus e indignidades como “mentiras abjectas”, “argumentos abusivos”, “bizarrias jurídicas”, “cabeça povoada de sexismo, racismo ou homofobia”, “agenda de ódio” e outros mimos (cf. “Público” de 10-09-2020). 

Dado que à cabeça da lista de subscritores do manifesto anti-ementa figura o nome do pai da deputada, Adriano Moreira, tais ignomínias (pasmai ó gentes!) atingem o próprio progenitor da dita cuja. 

Na minha maneira de ver, trata-se de uma tempestade, não diria num copo de água, mas mais propriamente num cozido à portuguesa. A questão não está em rejeitar o prato sem mais, pois no cozido constam várias iguarias e se há quem não goste de uma delas, por exemplo do chispe, retire-se de lá esse ingrediente e mantenha-se o prato. Tão simples como isso. Cristóvão Colombo não descobriu apenas a América, mas também o ovo com o seu nome. Façam como ele, e bom apetite para todos.

sábado, 29 de agosto de 2020

Os CTT do nosso descontentamento

Que saudades eu já tenho do tempo em que recebia a minha correspondência a tempo e horas, recebia as revistas e os jornais que assino sem semanas de atraso ou no “Dia de São Nunca”, e já depois de ter lido as respectivas notícias e conteúdos noutros órgãos de informação! 

Só quando perdemos as coisas é que lhes damos valor, e eu valorizo mais agora os antigos CTT que, não sendo perfeitos, cumpriam a sua missão a contento. Até mudei a minha opinião sobre as empresas públicas versus privadas, pois detestava as primeiras e enaltecia as segundas!... 

Leio no PÚBLICO de hoje (28-08-2020) que a Anacom, regulador das comunicações, “destaca que é o quarto ano consecutivo que a empresa falha o cumprimento da totalidade dos indicadores de qualidade de serviço”. 

Então pergunto: o que fazem os partidos e o Governo? Ocupam-se com o sexo dos anjos?

Ligações: Público carta ao director (28 Ago 2020); Outras cartas ao Director do Público de Fávio Vara.

Avante, artistas, avante

Faz-me sempre muita espécie, acho mesmo repugnante saber que certos artistas se digam não comunistas e vão à festa do Avante.   ...