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domingo, 11 de abril de 2021

OS TRIBUNAIS


Disseram-me que a justiça

morava nos tribunais,

fui lá para a conhecer,

de justiça nem sinais.

 

Fui à Operação Marquês

na esperança de a encontrar;

foi tanta a areia nos olhos

que estive quase a cegar.

 

O juiz que presidia

aceitava sem tugir

que alguém vendesse cabritos

sem ter cabras pròs parir.

 

Ó mar alto, ó mar alto,

de perigos abissais,

mais vale andar no mar alto

do que andar nos tribunais. 

 

                                                         

quinta-feira, 1 de abril de 2021

MAROTÍSSIMOS JUÍZES

 

 

Greve da magistratura,

órgão de soberania?!

é algo contranatura,

o cume da aleivosia.

 

Da função de magistrados

só querem ter o proveito;

pretendem ser respeitados

sem se darem ao respeito.

 

E inda querem que o País

não fique de olhos em bico

ao ver o sr. juiz

mijar fora do penico?

 

                                                    In : Flávio Vara, A BEM SOADA GENTE – Roma Ed, 2007.

 

 

domingo, 17 de janeiro de 2021

Cantigas, ó Rosa

Dei-me ao trabalho de ler, no Público de quinta-feira, o extenso, meandroso e pernóstico relambório do ex-director-geral da Política de Justiça, e relativo aos anteriormente "lapsos" , aos agora "erros" e aos futuros (...?), no currículo do candidato português a procurador europeu. 

Não lhe faltaram até eruditas citações, como esta de Bento de Jesus Caraça "Se não receamos os erros , é porque estamos sempre prontos a corrigi-los." (Comovente humildade!). Tantos esforços e contorções para branquear  "uma decisão política, democrática, legal, justificável e transparente". 

Porque será que no fim, e mesmo assim, não me convenceu o seu latim? Porque, curiosamente, me lembrou este provérbio latino "Excusatio non petita, accusatio manifesta", ou seja, em português vernáculo: "Uma desculpa não pedida é uma acusação manifesta".

Ligações: Público carta ao director (16 Jan 2021); Outras cartas ao Director do Público de Fávio Vara.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

E viva a Chica

 

Ministério da Justiça?
Chiça, que grande pivete,
donde vem um tal mau cheiro?
Vem de um certo Gabinete
que a Chica tornou chiqueiro.
 
Na batota e no cambão
quem a consegue igualar?
Apenas o seu patrão
com quem faz um lindo par.
 
A Chica bem merecia
uma boa chicotada,
mas na pandilha amiguista
é dos primeiros na lista
e muito apaparicada.

Flávio Vara

 

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Os Juízes, o Estatuto e o Conduto

Os nossos meritíssimos juízes são, como todos sabem, os servidores do Estado mais mal pagos, podendo até, nos escalões superiores da sua carreira, ultrapassar o vencimento do Primeiro Ministro. 

É por isso que, desde que os conheço, os vejo permanentemente a reclamar o reconhecimento da sua dignidade. E em que consiste a dignidade de Suas Meritíssimas Exc.ªs? Inibem-se de o dizer à s claras, não se vá pensar que maculam a sua dignidade com algo de impuro. Temos de ler nas entrelinhas do seu discurso, como por exemplo, no artigo do juiz Filipe César Marques (Público de 20-11-2018), quando reclama a “densificação”(?!) do respectivo Estatuto e compara os juízes portugueses aos magistrados de outros países da União Europeia, em vez de os comparar ao nível de vencimentos dos servidores do estado do nosso país.  

E em que consiste a tal “densificação”, um termo tão eufemisticamente curioso? Consiste em adicionar o conduto ao Estatuto, sendo que, no caso, conduto é igual a cum-quíbus. 

Eu cá não sou de intrigas, mas aposto com quem quiser, dobrado contra singelo, que as Meritíssimas Exc.ªs que fazem greve por causa de um Estatuto sem conduto,Zz deixariam de a fazer se lhe dessem um conduto sem Estatuto.

Avante, artistas, avante

Faz-me sempre muita espécie, acho mesmo repugnante saber que certos artistas se digam não comunistas e vão à festa do Avante.   ...