segunda-feira, 2 de maio de 2022

Putin e António Costa


Putin afirma: na Ucrânia

não há guerra, mas apenas

uma acção especial;

 

Costa diz: na Lusitânia

com o governo socialista

acabou a austeridade.

 

São dois lider’s bem diferentes,

mas num ponto convergentes:

no seu amor à verdade.

 

 


quarta-feira, 27 de abril de 2022

O 25 de Abril e as suas Vítimas *


Sobre o 25 de Abril, afirma Carmo Afonso, na sua crónica do mesmo dia, neste jornal, que “sempre houve quem dele se sentisse vítima por ter sido despojado de património ou do poder”.

Esqueceu-se a colunista (…) de mencionar aqueles, talvez o grupo mais numeroso, que, logo a seguir ao 25 de Abril e mesmo sem serem privados “de património ou de poder”, até porque os não possuíam, estiveram na iminência de serem espoliados do mais valioso de todos os patrimónios: de si próprios, dos seus ideais de liberdade, dos seus valores, da sua concepção de modo de viver.

Os que tentaram voltar a fazer de nós os adultos-crianças que fomos durante o salazarismo, são os mesmos que agora, aberta ou sonsamente, não se envergonham do seu putinofilismo.

 

* Publicado no “Público” em 26-04-2022

 

                                                                                              

 

 

Flávio Henrique Vara

Rua Leopoldo de Almeida, 13-7 A

1750-137 Lisboa

965558202

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Passarinhos e Flores Silvestres


Campesino irredutível, nado e criado em berças transmontanas, mas por força da minha sina a residir em Lisboa, não sou capaz de passar longos períodos na capital sem ir desintoxicar-me dos miasmas citadinos aos ares da terra onde nasci. Confesso que ultimamente cada vez que lá fui voltei mais desencantado. Aquilo já não é o que era. As coisas que mais me prendiam, que me eram mais familiares, como os passarinhos e as flores silvestres, estão em vias de extinção. As andorinhas já são em número reduzido; os chascos, as carriças e os trigueirões já são difíceis de avistar e já não nos deleitam com os seus trinados; o rosmaninho, a cheirosinha (vulgo tomilho), o alecrim, tão abundantes, no tempo da minha infância, são hoje raridades.

Estava eu melancolicamente a interrogar-me sobre qual poderia ser a causa de tais fenómenos: pesticidas, alterações climáticas? E eis que o choque foi tremendo: a causa tenho sido eu próprio. Tal revelação chegou-me via Carmo Afonso, a colunista da última página do jornal PÚBLICO:

por cada vez que alguém compara o BE e o PCP à extrema-direita morre um passarinho silvestre, seca uma flor campestre. Ao ritmo a que vamos não sobrarão nenhuns nem nenhumas (Público de 8-4-22).

Desgraçadamente, eu tenho feito muitas vezes essas comparações. Para meu eterno remorso. Eu pecador me confesso. Jamais voltarei à minha aldeia para não me deparar com os estragos que lá provoquei. Mea culpa, mea culpa, mea culpa.  

 

                                                                                              

 

 

 

                                                                                              

 

 

 

terça-feira, 5 de abril de 2022

À Zezinha e aos Meotes

 

Generosa e sempre atenta

às carências dos velhotes,

Maria José Madruga

tricotou com muito apuro

uns excelentes meotes,

muito quentes e macios

para eu não sofrer mais

o tormento dos pés frios

pelas noites invernais.

 

Mais ninguém da minha idade

entre nobres e plebeus
se poderá orgulhar

de uns meotes como os meus.

 

Meotes de tanta estima

não se vendem nos mercados
e a sua matéria-prima

é de fios de altruísmo

e amizade entrelaçados.

 

Não sei como agradecer

à Zezinha por me ter

distinguido com tal prenda;

e só para não ficar

com os pés muito quentinhos

mas com as mãos a abanar,

tricotei estes versinhos

que lhos vou endereçar

com gratidão e beijinhos.

 

 

 

                                                          

quarta-feira, 30 de março de 2022

Demónios ao Vivo

 

Putin é o génio do mal

e, como bem testemunha,

é génio não só do mal

mas também da caramunha.

 

Só há outro porco-sujo

que lhe seja similar:

é o patriarca Cirilo,

abençoando o seu czar.

 

Um é o monstro Leviatão,

outro a réplica de Judas;

até onde chegarão

com suas mútuas ajudas?!

 

 

 

                                                          

 

domingo, 6 de fevereiro de 2022

“Católicos não Crentes”


 

Portugal era cristão

desde os tempos de menino,

agora que é ancião,

segue um outro figurino,

tendo como referente

o modelo de Rui Rio,

“um católico não crente”.

 

Portugal envelheceu,

Portugal está xexé?

É muito pior do que isso:

Portugal envileceu

e os católicos imbeles

esvaziaram-se da fé,

preencheram o vazio

com um socialismo reles.

 

São cristãos vira-casacas,

que por algumas patacas

venderam a alma ao diabo,

tornaram-se meretrizes

de um bando de manicacas.

 

Renegaram Jesus Cristo,

bandearam-se ao Mefisto,

travestido de Monhé;

os milagres que este faz

nem Jesus de Nazaré

conseguiu realizar,

como esse tão espantoso

de pôr vacas a voar.

 

Os “católicos não crentes”

Que de cristão fazem fita

são, segundo os Evangelhos,

aqueles que Deus vomita.  

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Um Vírus Marialva (Para o Poeta Manuel Alegre)

 

  

É muito snobe esse vírus,

que gosta de andar aos tiros

por essas campinas fora,

em excursões cinegéticas

e acima de tudo adora

as liberdades poéticas.

 

 

 

                                                          

 

O Poeta, o PAN e as “Tradições” *

 

O poeta Manuel Alegre (M. A.) escreveu neste jornal, em 18 do corrente, um artigo com o título “Voto PS, não voto PAN” em que perora sobre as suas preferências eleitorais, explicitando que não vota PAN para não votar “contra o que gosto de fazer, como caçar e pescar” e ainda para impedir “que dois ou três deputados acabem com a pecuária, a caça e a pesca desportiva e outros seculares costumes e tradições do povo português.” (sublinhado meu).

M.A. ,como muita gente, não distingue entre tradições e rotinas ou costumeiras. Se uma usança qualquer, só porque é praticada há muito tempo, tivesse direito ao estatuto de tradição, então pela lógica do quanto mais antigo mais tradicional, a mais antiga profissão do mundo, o meretrício, estaria entre as tradições mais veneráveis, e entre as tradições contaríamos a escravatura, o direito de pernada, a pena de morte, as touradas, as praxes académicas, etc., etc.

Sem embargo de muito apreciar a poesia de M.A. e conservar no ouvido alguns dos seus versos, mormente o seu grito contra a ditadura salazarenta – “há sempre alguém que diz não ”-, confesso que, por vezes e por alguns dos seus tiques e assomos, se me insinuou a suspeita de que no genoma de M.A. era capaz de existir algum gene marialvista. Agora essa suspeita virou certeza: M.A. diz não a certas ditaduras e sim a outras, vide, à ditadura antiecologista, à ditadura anticlimática, às ditaduras em que os animais “racionais” tiram prazer em torturar os outros.

Eu também não voto PAN, mas isso não me impede de abraçar algumas causas daquele partido que representam um avanço na caminhada humana da barbárie para a civilização. M. A. Não está pelos ajustes. Pois fique-se lá com as suas excursões cinegéticas e com as suas liberdades poéticas. Estamos conversados.  

 

 

 

(*) Enviado para a secção “Cartas ao Director” do “Público” e não publicada.

 

 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Então Vota no Monhé


 

Porque será que o Monhé

faz tão grande finca-pé

a pedir estabilidade?

Para entender a razão

não se requer muita argúcia:

é pra dar continuidade

à pornografia súcia.

 

Queres um Governo formado

por compadre e afilhado,

por marido e por mulher,

pelo pai e pela filha?

então vota no Monhé,

então vota na pandilha.

 

Queres Sócrates clonado,

corrupção por todo o lado,

queres burlões de libré?

então vota socialista

então vota no Monhé.

 

Se não és cristão nem crente,

se és marxista impenitente,

jacobino renitente,

queres um mundo sem Deus

e detestas quem tem fé,

então vota nos ateus,

então vota no Monhé.

 

Em seis anos de governo,

com artimanhosa treta,

este bando proxeneta

conseguiu o que mais quis:

foi governar-se a si próprio,

desgovernando o país.

 

E conseguiu a proeza.

de fazer de Portugal,

no palmarés europeu,

o país de mais pobreza,

o país que mais desceu.

 

Se achas que o corona vírus

não basta pra nosso mal,

então pra ajudar à festa

soma-lhe outra pandemia:

a do vírus socialista,

mais funesta e mais mortal.

 

Caro amigo que me lês

e tens votado PS,

abre os olhos uma vez

e se não quiseres votar

noutros partidos da lista,

então vota no diabo,

mas não votes socialista.

 

 

 

                                                          

 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Bom Ano Novo *


 

Tu que és Cirurgião

e foste cirurgiado

vais entrar no Ano Novo

de coração restaurado;

 

coração que é a capela

de Deus que reside em nós;

mesmo quando está em obras

Deus nunca se afasta dela

Deus nunca nos deixa sós.

 

 

Com um abraço

Flávio Vara

31 de Dezembro de 2021

 

 

 

                                                          

*Para o meu amigo, António Cirurgião, que acaba de ser sujeito a uma melindrosa intervenção cirúrgica.

 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Maioria Absoluta!


 

Grão-mestre de nepotismo,

especialista em trapaça,

seis anos a endrominar-nos,

a mostrar a sua raça;

 

e inda se atreve a pedir

a maioria absoluta!

Não pretenderá mais nada?

Que tal darmos-lhe um manguito

ou então uma banhada?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Natal para Sempre *


 

O Natal para os mais novos

é um tempo de magia,

de sonhos e de esperanças;

o Natal para os mais velhos

é a revisitação

do seu tempo de crianças.

 

Para Deus que em simultâneo

é menino e ancião

Natal é prenda de pai,

que para nós preparou

desde o alvor da criação;

 

É uma Natividade

sem ter descontinuidade

entre infância e senectude;

é uma festividade

para toda a eternidade,

é o amor em plenitude.

 

 

*Para o amigo de sempre, /António Cirurgião,/ com quem estou em comunhão,/ não obstante ele morar/ em terras do Tio Sam/ do outro lado do mar.

 

 

 

                                                          

 

Avante, artistas, avante

Faz-me sempre muita espécie, acho mesmo repugnante saber que certos artistas se digam não comunistas e vão à festa do Avante.   ...