Putin afirma: na Ucrânia
não há guerra, mas
apenas
uma acção especial;
Costa diz: na
Lusitânia
com o governo
socialista
acabou a austeridade.
São dois lider’s bem diferentes,
mas num ponto
convergentes:
no seu amor à verdade.
Putin afirma: na Ucrânia
não há guerra, mas
apenas
uma acção especial;
Costa diz: na
Lusitânia
com o governo
socialista
acabou a austeridade.
São dois lider’s bem diferentes,
mas num ponto
convergentes:
no seu amor à verdade.
Sobre
o 25 de Abril, afirma Carmo Afonso, na sua crónica do mesmo dia, neste jornal,
que “sempre houve quem dele se sentisse vítima por ter sido despojado de
património ou do poder”.
Esqueceu-se
a colunista (…) de mencionar aqueles, talvez o grupo mais numeroso, que, logo a
seguir ao 25 de Abril e mesmo sem serem privados “de património ou de poder”,
até porque os não possuíam, estiveram na iminência de serem espoliados do mais
valioso de todos os patrimónios: de si próprios, dos seus ideais de liberdade,
dos seus valores, da sua concepção de modo de viver.
Os que tentaram voltar a fazer de nós os adultos-crianças que fomos durante o salazarismo, são os mesmos que agora, aberta ou sonsamente, não se envergonham do seu putinofilismo.
* Publicado
no “Público” em 26-04-2022
Flávio Henrique Vara
Rua Leopoldo de Almeida, 13-7
A
1750-137 Lisboa
965558202
Campesino irredutível, nado e
criado em berças transmontanas, mas por força da minha sina a residir em
Lisboa, não sou capaz de passar longos períodos na capital sem ir
desintoxicar-me dos miasmas citadinos aos ares da terra onde nasci. Confesso
que ultimamente cada vez que lá fui voltei mais desencantado. Aquilo já não é o
que era. As coisas que mais me prendiam, que me eram mais familiares, como os
passarinhos e as flores silvestres, estão em vias de extinção. As andorinhas já
são em número reduzido; os chascos, as carriças e os trigueirões já são difíceis
de avistar e já não nos deleitam com os seus trinados; o rosmaninho, a cheirosinha
(vulgo tomilho), o alecrim, tão abundantes, no tempo da minha infância, são
hoje raridades.
Estava eu melancolicamente a interrogar-me
sobre qual poderia ser a causa de tais fenómenos: pesticidas, alterações
climáticas? E eis que o choque foi tremendo: a causa tenho sido eu próprio. Tal
revelação chegou-me via Carmo Afonso, a colunista da última página do jornal PÚBLICO:
“por cada vez que alguém
compara o BE e o PCP à extrema-direita morre um passarinho silvestre, seca uma
flor campestre. Ao ritmo a que vamos não sobrarão nenhuns nem nenhumas
(Público de 8-4-22).
Desgraçadamente, eu tenho
feito muitas vezes essas comparações. Para meu eterno remorso. Eu pecador me confesso.
Jamais voltarei à minha aldeia para não me deparar com os estragos que lá
provoquei. Mea culpa, mea culpa, mea culpa.
Generosa e sempre
atenta
às carências dos
velhotes,
Maria José Madruga
tricotou com muito
apuro
uns excelentes meotes,
muito quentes e macios
para eu não sofrer
mais
o tormento dos pés
frios
pelas noites
invernais.
Mais ninguém da minha
idade
entre nobres e plebeus
se poderá orgulhar
de uns meotes como os
meus.
Meotes de tanta estima
não se vendem nos
mercados
e a sua matéria-prima
é de fios de altruísmo
e amizade
entrelaçados.
Não sei como agradecer
à Zezinha por me ter
distinguido com tal
prenda;
e só para não ficar
com os pés muito
quentinhos
mas com as mãos a
abanar,
tricotei estes
versinhos
que lhos vou endereçar
com gratidão e
beijinhos.
Putin é o génio do mal
e, como bem
testemunha,
é génio não só do mal
mas também da
caramunha.
Só há outro porco-sujo
que lhe seja similar:
é o patriarca Cirilo,
abençoando o seu czar.
Um é o monstro
Leviatão,
outro a réplica de
Judas;
até onde chegarão
com suas mútuas
ajudas?!
Portugal era cristão
desde os tempos de
menino,
agora que é ancião,
segue um outro
figurino,
tendo como referente
o modelo de Rui Rio,
“um católico não crente”.
Portugal envelheceu,
Portugal está xexé?
É muito pior do que
isso:
Portugal envileceu
e os católicos imbeles
esvaziaram-se da fé,
preencheram o vazio
com um socialismo
reles.
São cristãos
vira-casacas,
que por algumas
patacas
venderam a alma ao
diabo,
tornaram-se meretrizes
de um bando de
manicacas.
Renegaram Jesus
Cristo,
bandearam-se ao Mefisto,
travestido de Monhé;
os milagres que este
faz
nem Jesus de Nazaré
conseguiu realizar,
como esse tão
espantoso
de pôr vacas a voar.
Os “católicos não
crentes”
Que de cristão fazem
fita
são, segundo os
Evangelhos,
aqueles que Deus
vomita.
É muito snobe esse
vírus,
que gosta de andar aos
tiros
por essas campinas
fora,
em excursões
cinegéticas
e acima de tudo adora
as liberdades
poéticas.
O poeta
Manuel Alegre (M. A.) escreveu neste jornal, em 18 do corrente, um artigo com o
título “Voto PS, não voto PAN” em que perora sobre as suas preferências
eleitorais, explicitando que não vota PAN para não votar “contra o que gosto
de fazer, como caçar e pescar” e ainda para impedir “que dois ou três
deputados acabem com a pecuária, a caça e a pesca desportiva e outros
seculares costumes e tradições do povo português.” (sublinhado meu).
M.A. ,como
muita gente, não distingue entre tradições e rotinas ou costumeiras. Se uma
usança qualquer, só porque é praticada há muito tempo, tivesse direito ao
estatuto de tradição, então pela lógica do quanto mais antigo mais tradicional,
a mais antiga profissão do mundo, o meretrício, estaria entre as tradições mais
veneráveis, e entre as tradições contaríamos a escravatura, o direito de
pernada, a pena de morte, as touradas, as praxes académicas, etc., etc.
Sem
embargo de muito apreciar a poesia de M.A. e conservar no ouvido alguns dos
seus versos, mormente o seu grito contra a ditadura salazarenta – “há sempre
alguém que diz não ”-, confesso que, por vezes e por alguns dos seus tiques e
assomos, se me insinuou a suspeita de que no genoma de M.A. era capaz de existir
algum gene marialvista. Agora essa suspeita virou certeza: M.A. diz não a certas
ditaduras e sim a outras, vide, à ditadura antiecologista, à ditadura anticlimática,
às ditaduras em que os animais “racionais” tiram prazer em torturar os outros.
Eu também
não voto PAN, mas isso não me impede de abraçar algumas causas daquele partido
que representam um avanço na caminhada humana da barbárie para a civilização.
M. A. Não está pelos ajustes. Pois fique-se lá com as suas excursões
cinegéticas e com as suas liberdades poéticas. Estamos conversados.
(*) Enviado para a secção “Cartas ao Director”
do “Público” e não publicada.
Porque será que o Monhé
faz tão grande
finca-pé
a pedir estabilidade?
Para entender a razão
não se requer muita argúcia:
é pra dar continuidade
à pornografia súcia.
Queres um Governo
formado
por compadre e
afilhado,
por marido e por
mulher,
pelo pai e pela filha?
então vota no Monhé,
então vota na
pandilha.
Queres Sócrates clonado,
corrupção por todo o
lado,
queres burlões de
libré?
então vota socialista
então vota no Monhé.
Se não és cristão nem
crente,
se és marxista
impenitente,
jacobino renitente,
queres um mundo sem Deus
e detestas quem tem
fé,
então vota nos ateus,
então vota no Monhé.
Em seis anos de governo,
com artimanhosa treta,
este bando proxeneta
conseguiu o que mais
quis:
foi governar-se a si
próprio,
desgovernando o país.
E conseguiu a proeza.
de fazer de Portugal,
no palmarés europeu,
o país de mais
pobreza,
o país que mais
desceu.
Se achas que o corona vírus
não basta pra nosso
mal,
então pra ajudar à
festa
soma-lhe outra
pandemia:
a do vírus socialista,
mais funesta e mais
mortal.
Caro amigo que me lês
e tens votado PS,
abre os olhos uma vez
e se não quiseres
votar
noutros partidos da lista,
então vota no diabo,
mas não votes
socialista.
Tu que és Cirurgião
e foste cirurgiado
vais entrar no Ano
Novo
de coração restaurado;
coração que é a capela
de Deus que reside em
nós;
mesmo quando está em
obras
Deus nunca se afasta
dela
Deus nunca nos deixa
sós.
Com um abraço
Flávio Vara
31 de Dezembro de 2021
*Para o meu amigo, António Cirurgião, que acaba de ser
sujeito a uma melindrosa intervenção cirúrgica.
Grão-mestre de
nepotismo,
especialista em
trapaça,
seis anos a
endrominar-nos,
a mostrar a sua raça;
e inda se atreve a
pedir
a maioria absoluta!
Não pretenderá mais
nada?
Que tal darmos-lhe um manguito
ou então uma banhada?
O Natal para os mais
novos
é um tempo de magia,
de sonhos e de
esperanças;
o Natal para os mais
velhos
é a revisitação
do seu tempo de
crianças.
Para Deus que em simultâneo
é menino e ancião
Natal é prenda de pai,
que para nós preparou
desde o alvor da
criação;
É uma Natividade
sem ter
descontinuidade
entre infância e
senectude;
é uma festividade
para toda a
eternidade,
é o amor em plenitude.
*Para o amigo de sempre, /António Cirurgião,/
com quem estou em comunhão,/ não obstante ele morar/ em terras do Tio Sam/ do
outro lado do mar.
Faz-me sempre muita espécie, acho mesmo repugnante saber que certos artistas se digam não comunistas e vão à festa do Avante. ...