Ligações: Público carta ao director (30 Nov2020); Outras cartas ao Director do Público de Fávio Vara.
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
Dois colunistas que muito prezo
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Os Juízes, o Estatuto e o Conduto
Os nossos meritíssimos juízes são, como todos sabem, os servidores do Estado mais mal pagos, podendo até, nos escalões superiores da sua carreira, ultrapassar o vencimento do Primeiro Ministro.
É por isso que, desde que os conheço, os vejo permanentemente a reclamar o reconhecimento da sua dignidade. E em que consiste a dignidade de Suas Meritíssimas Exc.ªs? Inibem-se de o dizer à s claras, não se vá pensar que maculam a sua dignidade com algo de impuro. Temos de ler nas entrelinhas do seu discurso, como por exemplo, no artigo do juiz Filipe César Marques (Público de 20-11-2018), quando reclama a “densificação”(?!) do respectivo Estatuto e compara os juízes portugueses aos magistrados de outros países da União Europeia, em vez de os comparar ao nível de vencimentos dos servidores do estado do nosso país.
E em que consiste a tal “densificação”, um termo tão eufemisticamente curioso? Consiste em adicionar o conduto ao Estatuto, sendo que, no caso, conduto é igual a cum-quíbus.
Eu cá não sou de intrigas, mas aposto com quem quiser, dobrado contra singelo, que as Meritíssimas Exc.ªs que fazem greve por causa de um Estatuto sem conduto,Zz deixariam de a fazer se lhe dessem um conduto sem Estatuto.
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Amicus certus in re incerta cernitur
Amicus Certus *(para o Amílcar, em 24-11-20, dia do seu aniversário, com um abraço.)
Tal é a velocidadedo ritmo de mutaçãonesta era digitalque até a própria amizadejá se tornou virtual.Amigos de carne e ossoe para as ocasiõesjá são uma raridadesão apenas excepções.Por isso muito me prezode contar entre os amigosum desses excepcionais,como é o Amílcar Morais,inteiriço, dos antigos.
sábado, 12 de setembro de 2020
A cidadania e outras coisas
Vai por aí uma grande rebaldaria por causa de um prato gastronómico, que consta no cardápio educativo, com o nome de “Cidadania e Desenvolvimento”. A coisa chegou a tal ponto que a deputada Isabel Moreira (a mosca acorre ao mel e à fracturância acorre a Isabel) que é fã do acepipe, atribui aos seus opositores labéus e indignidades como “mentiras abjectas”, “argumentos abusivos”, “bizarrias jurídicas”, “cabeça povoada de sexismo, racismo ou homofobia”, “agenda de ódio” e outros mimos (cf. “Público” de 10-09-2020).
Dado que à cabeça da lista de subscritores do manifesto anti-ementa figura o nome do pai da deputada, Adriano Moreira, tais ignomínias (pasmai ó gentes!) atingem o próprio progenitor da dita cuja.
Na minha maneira de ver, trata-se de uma tempestade, não diria num copo de água, mas mais propriamente num cozido à portuguesa. A questão não está em rejeitar o prato sem mais, pois no cozido constam várias iguarias e se há quem não goste de uma delas, por exemplo do chispe, retire-se de lá esse ingrediente e mantenha-se o prato. Tão simples como isso. Cristóvão Colombo não descobriu apenas a América, mas também o ovo com o seu nome. Façam como ele, e bom apetite para todos.
sábado, 29 de agosto de 2020
Os CTT do nosso descontentamento
Que saudades eu já tenho do tempo em que recebia a minha correspondência a tempo e horas, recebia as revistas e os jornais que assino sem semanas de atraso ou no “Dia de São Nunca”, e já depois de ter lido as respectivas notícias e conteúdos noutros órgãos de informação!
Só quando perdemos as coisas é que lhes damos valor, e eu valorizo mais agora os antigos CTT que, não sendo perfeitos, cumpriam a sua missão a contento. Até mudei a minha opinião sobre as empresas públicas versus privadas, pois detestava as primeiras e enaltecia as segundas!...
Leio no PÚBLICO de hoje (28-08-2020) que a Anacom, regulador das comunicações, “destaca que é o quarto ano consecutivo que a empresa falha o cumprimento da totalidade dos indicadores de qualidade de serviço”.
Então pergunto: o que fazem os partidos e o Governo? Ocupam-se com o sexo dos anjos?
Ligações: Público carta ao director (28 Ago 2020); Outras cartas ao Director do Público de Fávio Vara.
sábado, 4 de julho de 2020
Covid-19, verdade e humildade
Acordo ortográfico
Para quem vem acompanhando, há anos, a vexata quaestio do (des)acordo ortográfico, a carta que o embaixador Seixas da Costa escreveu sobre o assunto neste jornal, no dia 4 do corrente, é no mínimo repugnante. “Carta sobre o assunto” não é porventura a expressão mais adequada, porque o sr. embaixador não escreveu propriamente sobre o (des)acordo, até porque não deve perceber muito acerca do tema. A carta é sobretudo ad hominem, contra o jornalista Nuno Pacheco (não conheço o jornalista a não ser pelos seus escritos, nem ele precisa de ajudas alheias na defesa da sua honra).
O sr. embaixador não gosta que se grafe com minúscula o dito cujo (des)acordo, pela mesma razão, diz ele, que no tempo da outra senhora a PIDE minusculizava o “partido comunista”. São gostos, não se discutem. Mas discutem-se, sim, as bases anticientíficas, a acefalia e a prepotência com que tais normas foram impostas contra tudo e contra todos, e que conduziram ao actual caos que só não vê quem não quer ver.
O referido diplomata, e sem qualquer diplomático prurido, atira-se a um jornalista que tem sido paladino na defesa da abolição do malfadado (des)acordo, acoimando-o de escrever os seus artigos “onanisticamente, para prazer solitário”. O sr. embaixador Seixas da Costa, que tão desinibidamente diz o que gosta, está a precisar duma pouco diplomática resposta. Para já, de uma coisa pode ficar certo: que na investida contra o jornalista está mais solitário, do que está o jornalista contra o acordo asinário.
sexta-feira, 16 de março de 2018
Nuno Nozelos, Escritor Egrégio
E vou dar ao casebre de uma aldeia.Ali fico e repouso do caminho.Há batatas e pão, há caldo e vinho,rachas ao lume e azeite na candeia.
Esse amor transbordou para a sua obra, em especial para os seus livros de contos. Neles vive o povo do Nordeste, com o seu modo de ser, a sua cultura, as suas condições de vida, os seus interesses, os seus pundonores, as suas manhas e, acima de tudo, com o seu linguajar. Os forasteiros que desejem saber como são as gentes que habitam aquelas paragens, leiam os contos de Nuno Nozelos e não percam “Gente da Minha Terra”. E os naturais de lá, que gostem de se mirar ao espelho, leiam-nos também.
Nuno Nozelos era dotado de talentos estéticos não só no campo da literatura. Poucos saberão que também era amante da pintura e que a praticou por um breve período, vendo-se forçado a abdicar dela por impedimento de uma rinite alérgica que se lhe exacerbava com o cheiro e a proximidade das tintas. Por amabilidade de Celeste Nozelos, que foi a sua dedicada companheira ao longo da vida, pude recentemente admirar, na sua casa, alguns quadros por ele pintados. E por essa amostra – ex digito gigas – avaliei até onde poderia ter ido nessa arte plástica, se tivesse podido consagrar-se-lhe.
Falta acrescentar que, como é próprio das pessoas de valor e ao contrário do tal caramonico a que me referi no início, o Nuno Nozelos era uma pessoa simples, modesta, de trato afável e avesso a exibicionismos. No rebanho há os que sobressaem pela própria estatura, são os egrégios; e os que forcejam por sobressair em bicos de pés, são os egressos.
Nós, seres humanos, somos ontologicamente falhados, porque nascemos para viver incessantemente à procura do que é impossível conseguir dentro das fronteiras deste mundo: matar a sede de beleza e de amor que nos habita e nos consome. Os poetas e os artistas são porventura aqueles que mais se acercam da fonte, mas, por outro lado, são os que mais excruciantemente experimentam a sua falha.
Meu caro Nuno Nozelos, espero que do outro lado da fronteira que já transpuseste, descanses ressarcido de todas as tuas sedes.
Avante, artistas, avante
Faz-me sempre muita espécie, acho mesmo repugnante saber que certos artistas se digam não comunistas e vão à festa do Avante. ...
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Da terra onde nascemos, demos os primeiros passos, crescemos e brincámos com as outras crianças, jamais nos esquecemos, guar...
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Faz-me sempre muita espécie, acho mesmo repugnante saber que certos artistas se digam não comunistas e vão à festa do Avante. ...
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