terça-feira, 5 de abril de 2022

À Zezinha e aos Meotes

 

Generosa e sempre atenta

às carências dos velhotes,

Maria José Madruga

tricotou com muito apuro

uns excelentes meotes,

muito quentes e macios

para eu não sofrer mais

o tormento dos pés frios

pelas noites invernais.

 

Mais ninguém da minha idade

entre nobres e plebeus
se poderá orgulhar

de uns meotes como os meus.

 

Meotes de tanta estima

não se vendem nos mercados
e a sua matéria-prima

é de fios de altruísmo

e amizade entrelaçados.

 

Não sei como agradecer

à Zezinha por me ter

distinguido com tal prenda;

e só para não ficar

com os pés muito quentinhos

mas com as mãos a abanar,

tricotei estes versinhos

que lhos vou endereçar

com gratidão e beijinhos.

 

 

 

                                                          

quarta-feira, 30 de março de 2022

Demónios ao Vivo

 

Putin é o génio do mal

e, como bem testemunha,

é génio não só do mal

mas também da caramunha.

 

Só há outro porco-sujo

que lhe seja similar:

é o patriarca Cirilo,

abençoando o seu czar.

 

Um é o monstro Leviatão,

outro a réplica de Judas;

até onde chegarão

com suas mútuas ajudas?!

 

 

 

                                                          

 

domingo, 6 de fevereiro de 2022

“Católicos não Crentes”


 

Portugal era cristão

desde os tempos de menino,

agora que é ancião,

segue um outro figurino,

tendo como referente

o modelo de Rui Rio,

“um católico não crente”.

 

Portugal envelheceu,

Portugal está xexé?

É muito pior do que isso:

Portugal envileceu

e os católicos imbeles

esvaziaram-se da fé,

preencheram o vazio

com um socialismo reles.

 

São cristãos vira-casacas,

que por algumas patacas

venderam a alma ao diabo,

tornaram-se meretrizes

de um bando de manicacas.

 

Renegaram Jesus Cristo,

bandearam-se ao Mefisto,

travestido de Monhé;

os milagres que este faz

nem Jesus de Nazaré

conseguiu realizar,

como esse tão espantoso

de pôr vacas a voar.

 

Os “católicos não crentes”

Que de cristão fazem fita

são, segundo os Evangelhos,

aqueles que Deus vomita.  

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Um Vírus Marialva (Para o Poeta Manuel Alegre)

 

  

É muito snobe esse vírus,

que gosta de andar aos tiros

por essas campinas fora,

em excursões cinegéticas

e acima de tudo adora

as liberdades poéticas.

 

 

 

                                                          

 

O Poeta, o PAN e as “Tradições” *

 

O poeta Manuel Alegre (M. A.) escreveu neste jornal, em 18 do corrente, um artigo com o título “Voto PS, não voto PAN” em que perora sobre as suas preferências eleitorais, explicitando que não vota PAN para não votar “contra o que gosto de fazer, como caçar e pescar” e ainda para impedir “que dois ou três deputados acabem com a pecuária, a caça e a pesca desportiva e outros seculares costumes e tradições do povo português.” (sublinhado meu).

M.A. ,como muita gente, não distingue entre tradições e rotinas ou costumeiras. Se uma usança qualquer, só porque é praticada há muito tempo, tivesse direito ao estatuto de tradição, então pela lógica do quanto mais antigo mais tradicional, a mais antiga profissão do mundo, o meretrício, estaria entre as tradições mais veneráveis, e entre as tradições contaríamos a escravatura, o direito de pernada, a pena de morte, as touradas, as praxes académicas, etc., etc.

Sem embargo de muito apreciar a poesia de M.A. e conservar no ouvido alguns dos seus versos, mormente o seu grito contra a ditadura salazarenta – “há sempre alguém que diz não ”-, confesso que, por vezes e por alguns dos seus tiques e assomos, se me insinuou a suspeita de que no genoma de M.A. era capaz de existir algum gene marialvista. Agora essa suspeita virou certeza: M.A. diz não a certas ditaduras e sim a outras, vide, à ditadura antiecologista, à ditadura anticlimática, às ditaduras em que os animais “racionais” tiram prazer em torturar os outros.

Eu também não voto PAN, mas isso não me impede de abraçar algumas causas daquele partido que representam um avanço na caminhada humana da barbárie para a civilização. M. A. Não está pelos ajustes. Pois fique-se lá com as suas excursões cinegéticas e com as suas liberdades poéticas. Estamos conversados.  

 

 

 

(*) Enviado para a secção “Cartas ao Director” do “Público” e não publicada.

 

 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Então Vota no Monhé


 

Porque será que o Monhé

faz tão grande finca-pé

a pedir estabilidade?

Para entender a razão

não se requer muita argúcia:

é pra dar continuidade

à pornografia súcia.

 

Queres um Governo formado

por compadre e afilhado,

por marido e por mulher,

pelo pai e pela filha?

então vota no Monhé,

então vota na pandilha.

 

Queres Sócrates clonado,

corrupção por todo o lado,

queres burlões de libré?

então vota socialista

então vota no Monhé.

 

Se não és cristão nem crente,

se és marxista impenitente,

jacobino renitente,

queres um mundo sem Deus

e detestas quem tem fé,

então vota nos ateus,

então vota no Monhé.

 

Em seis anos de governo,

com artimanhosa treta,

este bando proxeneta

conseguiu o que mais quis:

foi governar-se a si próprio,

desgovernando o país.

 

E conseguiu a proeza.

de fazer de Portugal,

no palmarés europeu,

o país de mais pobreza,

o país que mais desceu.

 

Se achas que o corona vírus

não basta pra nosso mal,

então pra ajudar à festa

soma-lhe outra pandemia:

a do vírus socialista,

mais funesta e mais mortal.

 

Caro amigo que me lês

e tens votado PS,

abre os olhos uma vez

e se não quiseres votar

noutros partidos da lista,

então vota no diabo,

mas não votes socialista.

 

 

 

                                                          

 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Bom Ano Novo *


 

Tu que és Cirurgião

e foste cirurgiado

vais entrar no Ano Novo

de coração restaurado;

 

coração que é a capela

de Deus que reside em nós;

mesmo quando está em obras

Deus nunca se afasta dela

Deus nunca nos deixa sós.

 

 

Com um abraço

Flávio Vara

31 de Dezembro de 2021

 

 

 

                                                          

*Para o meu amigo, António Cirurgião, que acaba de ser sujeito a uma melindrosa intervenção cirúrgica.

 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Maioria Absoluta!


 

Grão-mestre de nepotismo,

especialista em trapaça,

seis anos a endrominar-nos,

a mostrar a sua raça;

 

e inda se atreve a pedir

a maioria absoluta!

Não pretenderá mais nada?

Que tal darmos-lhe um manguito

ou então uma banhada?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Natal para Sempre *


 

O Natal para os mais novos

é um tempo de magia,

de sonhos e de esperanças;

o Natal para os mais velhos

é a revisitação

do seu tempo de crianças.

 

Para Deus que em simultâneo

é menino e ancião

Natal é prenda de pai,

que para nós preparou

desde o alvor da criação;

 

É uma Natividade

sem ter descontinuidade

entre infância e senectude;

é uma festividade

para toda a eternidade,

é o amor em plenitude.

 

 

*Para o amigo de sempre, /António Cirurgião,/ com quem estou em comunhão,/ não obstante ele morar/ em terras do Tio Sam/ do outro lado do mar.

 

 

 

                                                          

 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Asno que Me Leve

 

     

Muitos ainda se lembram

daquele cómico evento

quando o Costa, numa boa,

veio de Loures a Lisboa

montado sobre um jumento.

 

Mas o que nem todos sabem

e que é útil recordar

é que, antes de vir de burro,

quis servir-se de um cavalo

que não se deixou montar.

 

Pra cavalgar animais

Usa de todos os meios,

mas só monta aquelas bestas

Que deixam pôr os arreios.



In: Flávio Vara, A Nata do Povo, Ed. Chiado, 2018

O Pinho e o Pinhal

 

       

O problema não é o Pinho,

não é aí que está o mal;

ele é apenas uma árvore,

o problema é o pinheiral.

 

O problema é o socialismo

essa doença mortal,

gangrena de nepotismo

que infeccionou Portugal,

 

a doença mais malina

para a qual não há vacina

porque é uma lepra moral.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Pontapés Gramaticais, Pandémicos e Colaterais


            A variante mais recente do coronavírus, baptizada ómicron, ademais de agravar a pandemia, está a ser muito infecciosa, linguisticamente falando. Como é sabido, ómicron é o nome da vogal “o” do alfabeto grego, e significa “pequeno”(mícron). A mesma vogal tem ainda outro nome, ómega, ou seja, “grande”(mega). Estes qualificativos não têm aqui o mesmo significado que vulgarmente lhes damos de “minúsculo” e “maiúsculo”. Mais adequado seria dizermos “o” breve e “o” longo. A língua grega antiga era mais musical do que as línguas modernas e, tal como na música há notas com tempos diferentes de duração, o mesmo acontecia, na pátria de Homero, com a pronúncia das vogais. A vogal “o”, conforme os casos, podia ter um tempo curto de pronúncia ou ter uma duração sensivelmente o dobro da primeira; nesse caso era representada graficamente por dois ómicrons acoplados (ω).

            Tanto ómicron como ómega são palavras esdrúxulas, com acento tónico e gráfico na primeira sílaba da esquerda.  É nessa sílaba que se deve carregar foneticamente e não na última. E assim como não dizemos “omegá”, também é erróneo dizer “omicrôn”. Mas a literacia dos comunicadores da nossa praça, com particular realce para os da televisão e da rádio, anda muito por baixo, é muito “micrónica”. Com o maior desplante agridem-nos constantemente os ouvidos com “omicrôns” e outras necedades que a falta de espaço me impede de elencar. Nem mesmo quando nos ecrâs das televisões a palavra aparece correctamente escrita, com acento gráfico na sílaba tónica, eles evitam a calinada.

            De tantos tratos de polé que recebe de locutores, pivôs, comentadores, especialistas, virologistas e até, amiúde, das autoridades de saúde, a língua portuguesa já deu entrada nos cuidados intensivos. Foi difícil engendrar a vacina contra o vírus. Mais árduo será descobrir o antídoto eficaz contra o morbo asnal que atinge aqueles sandeus! Mas eu ainda não perdi a esperança; haja Deus.  

 

 


Avante, artistas, avante

Faz-me sempre muita espécie, acho mesmo repugnante saber que certos artistas se digam não comunistas e vão à festa do Avante.   ...