Grão-mestre de
nepotismo,
especialista em
trapaça,
seis anos a
endrominar-nos,
a mostrar a sua raça;
e inda se atreve a
pedir
a maioria absoluta!
Não pretenderá mais
nada?
Que tal darmos-lhe um manguito
ou então uma banhada?
Grão-mestre de
nepotismo,
especialista em
trapaça,
seis anos a
endrominar-nos,
a mostrar a sua raça;
e inda se atreve a
pedir
a maioria absoluta!
Não pretenderá mais
nada?
Que tal darmos-lhe um manguito
ou então uma banhada?
O Natal para os mais
novos
é um tempo de magia,
de sonhos e de
esperanças;
o Natal para os mais
velhos
é a revisitação
do seu tempo de
crianças.
Para Deus que em simultâneo
é menino e ancião
Natal é prenda de pai,
que para nós preparou
desde o alvor da
criação;
É uma Natividade
sem ter
descontinuidade
entre infância e
senectude;
é uma festividade
para toda a
eternidade,
é o amor em plenitude.
*Para o amigo de sempre, /António Cirurgião,/
com quem estou em comunhão,/ não obstante ele morar/ em terras do Tio Sam/ do
outro lado do mar.
Muitos ainda se
lembram
daquele cómico evento
quando o Costa, numa
boa,
veio de Loures a
Lisboa
montado sobre um
jumento.
Mas o que nem todos
sabem
e que é útil recordar
é que, antes de vir de
burro,
quis servir-se de um
cavalo
que não se deixou
montar.
Pra cavalgar animais
Usa de todos os meios,
mas só monta aquelas bestas
Que deixam pôr os
arreios.
In: Flávio Vara, A Nata do Povo, Ed. Chiado, 2018
O problema não é o Pinho,
não é aí que está o
mal;
ele é apenas uma
árvore,
o problema é o
pinheiral.
O problema é o
socialismo
essa doença mortal,
gangrena de nepotismo
que infeccionou Portugal,
a doença mais malina
para a qual não há
vacina
porque é uma lepra
moral.
A
variante mais recente do coronavírus, baptizada ómicron, ademais de agravar
a pandemia, está a ser muito infecciosa, linguisticamente falando. Como é
sabido, ómicron é o nome da vogal “o” do alfabeto grego, e significa
“pequeno”(mícron). A mesma vogal tem ainda outro nome, ómega, ou seja, “grande”(mega).
Estes qualificativos não têm aqui o mesmo significado que vulgarmente lhes
damos de “minúsculo” e “maiúsculo”. Mais adequado seria dizermos “o” breve e
“o” longo. A língua grega antiga era mais musical do que as línguas modernas e,
tal como na música há notas com tempos diferentes de duração, o mesmo
acontecia, na pátria de Homero, com a pronúncia das vogais. A vogal “o”,
conforme os casos, podia ter um tempo curto de pronúncia ou ter uma duração sensivelmente
o dobro da primeira; nesse caso era representada graficamente por dois
ómicrons acoplados (ω).
Tanto ómicron como ómega
são palavras esdrúxulas, com acento tónico e gráfico na primeira sílaba da
esquerda. É nessa sílaba que se deve
carregar foneticamente e não na última. E assim como não dizemos “omegá”,
também é erróneo dizer “omicrôn”. Mas a literacia dos comunicadores da nossa
praça, com particular realce para os da televisão e da rádio, anda muito por
baixo, é muito “micrónica”. Com o maior desplante agridem-nos constantemente os
ouvidos com “omicrôns” e outras necedades que a falta de espaço me impede de
elencar. Nem mesmo quando nos ecrâs das televisões a palavra aparece
correctamente escrita, com acento gráfico na sílaba tónica, eles evitam a
calinada.
De tantos tratos de polé que recebe
de locutores, pivôs, comentadores, especialistas, virologistas e até, amiúde, das
autoridades de saúde, a língua portuguesa já deu entrada nos cuidados
intensivos. Foi difícil engendrar a vacina contra o vírus. Mais árduo será
descobrir o antídoto eficaz contra o morbo asnal que atinge aqueles sandeus!
Mas eu ainda não perdi a esperança; haja Deus.
“Se tudo continua igual, se os nossos dias
são pautados pelo ‘sempre se fez assim’,
então o dom desaparece, sufocado pelas
cinzas dos medos e pela preocupação de
defender o statu quo”.
(Papa Francisco).
“Os cristãos são todos iguais, o ser bispo
ou cardeal não nos torna superiores a
ninguém”.
(Cardeal Cristóbal López).
Veio o Papa Francisco e desconstruiu esse
mundo convencional e, daí o grito: ai que ele
está a dar cabo
da Igreja na sua vida interna
e na sua
relação com o mundo. É verdade! O
vinho novo da
sua intervenção, pelo exemplo
e pela palavra,
rebenta com os odres velhos
do
conformismo.”
(Frei Bento Domingues).
“Uma Igreja que, aprisionada por um
sistema clerical, corre o risco de se tornar
cada vez mais um museu de antiguidades”.
(P. Anselmo Borges).
“A primeira condição dos católicos, para
realizarem a sua missão na linha do Papa
Francisco, é a reforma da Igreja, do topo
até à base.”
(Frei Bento Domingues).
Há
uma coisa que na Igreja
me
entristece e não encaixo:
que
a informação se processe
só
de cima para baixo.
E
se há cartas pastorais
do
pastor para as ovelhas,
eu
atrevo-me a propor
que
haja cartas ovelhais
das
ovelhas prò pastor.
E
para dar o exemplo
e
viver a minha fé,
aqui
vai uma ovelhal
para
o bispo D. José.
v
Serrar
a clerocracia
não
é nenhuma heresia
nem
pecado venial,
é
até mesmo um dever,
segundo
o papa actual,
um
papa que é muito amado
e
que possui tantos dons!
Peço
a Deus que lhe dê vida
por
muitos anos e bons,
pois
tenho grande receio
de
que o “Grande Inquisidor”
não
suporte que ele imite
a
Jesus Nosso Senhor.
Já
anda a fazer-lhe o cerco,
já
anda a mostrar-lhe as garras,
à
espera do momento
de
lhe lançar as amarras.
É
pois no Papa Francisco
que
me sinto respaldado
para
correr este risco
de
vir a serrar a velha
também
ao nosso prelado.
É
um caso melindroso
e
que deve ser tratado
com
reverência e unção
para
não ser cominado
com
alguma excomunhão.
v
O
bispo José Cordeiro
é
um jovem prazenteiro,
bem
falante e despachado;
de
todos os atributos
requeridos
a um prelado
falta-lhe
apenas o cheiro.
Segundo
o Papa Francisco,
o
pastor deve cheirar
às
ovelhas que apascenta;
e
a que cheira D. José?
A
rituais, liturgias,
devoções
e água benta.
Já
ouvi dizer por vezes
que
até é um bispo bonito
e
que é mal empregado
em
terra de montanheses.
Quanto
a ser mal empregado,
eu
também estou de acordo,
mas
é noutra perspectiva:
porque
sou membro da Igreja,
quero-a
rejuvenescida;
mas
quanto a isso este bispo,
e
com todo o meu respeito,
é
um atraso de vida.
A
sua designação
para
bispo de Bragança
inundou-me
de alegria,
encheu-me
a alma de esperança.
Um
bispo com tal perfil
estava
mesmo talhado
pra
remoçar o redil
que
lhe fora confiado,
para
alterar uma prática
convencional,
rotineira
e
fazer com que se veja
outra
maneira de ser
cristão
e de ser Igreja.
Mas
já passaram dez anos,
sucedem-se
os desenganos
e
lembram-me os Evangelhos
naquele passo em que se lê
"vinho novo em odres velhos".
Pode ser bom velocista
e
de alta cilindrada,
só
que corre numa pista
quanto
a mim pouco acertada.
v
Na
Igreja, povo de Deus,
todos
nós somos iguais,
não
devem existir castas,
prepotências
clericais,
nem
haver donos de tudo,
só
uns poucos a falar
e
o resto que fica mudo.
O
poder não possui sexo,
por
isso não deve ser
monopólio
masculino,
a
mulher é, como o homem,
um
reflexo do divino,
e
na relação com Deus
é
ela que sobressai:
a
mulher é mãe de Cristo,
mas
o homem não é pai.
Porém
como estas matérias
são
demasiado sérias
para
serem abordadas
de
tão ligeira feição,
tratá-las-ei,
Deus o queria,
em
outra oportunidade,
com
maior profundidade
e
noutro diapasão.
Mas
antes de terminar,
ainda
quero serrar
uma
obnóxia latinada
que
muito me estarreceu
quando
um dia a vi estampada
num
livro do senhor bispo,*
entre
os vários que escreveu.
v
Em
latim há uma expressão
muito
usada para dizer
“ponto
da situação”;
trata-se
de status quaestionis
que
o senhor bispo empregou,
alterando-lhe
o final
para
“status quaestiones”,
e
com isso cometendo
um
pecado muito grave
a
nível gramatical.
Do
latim já terminou
há
muito tempo a vigência,
mas
é língua de cultura
e
é da sua descendência,
do
seu cunho de nobreza
que
se orgulha a “flor do Lácio”
sua
filha portuguesa.
Não
podemos profanar
os
seus despojos mortais,
é
nosso dever sagrado
preservá-los, cultuá-los
como
relíquias dos pais.
Post Scriptum
D.
José, eu sempre fui
um
tanto desabusado,
mas
sou bem intencionado,
tenho
por si muito apreço
e,
pode ter a certeza,
não
sou ruim como pareço.
Acautele-se,
isso sim,
contra
as reses do rebanho
que
usam falinhas de mel,
que
de ovelhas têm pele,
mas na realidade são
lobos de todo o tamanho.
Ficámos muito sensibilizados e honrados por Francisca Van Dunem, eminente ministra e iminente ex-ministra, nos ter feito confidentes dos seus estados de alma a respeito dos anos passados como Governanta* do departamento da Justiça, durante este último sexénio. Confessou-nos Sua Excelência, no jornal “Público” de 19 de Novembro último, que mesmo que o PS ganhe as próximas eleições legislativas e António Costa permaneça como Primeiro-Ministro, ela deixará o lugar, porque, acrescenta: “Eu já estava neste Governo [apenas] até final da Presidência portuguesa da União Europeia, era a combinação que tínhamos. Porque era suposto que houvesse uma remodelação a seguir a isso”. Acrescentou ainda estes tocantes e edificantes desabafos: “Acho que sou neste momento a pessoa que mais tempo esteve na pasta da Justiça. É o mais longo mandato de um ministro desde o 25 de Abril. Temos de dar lugar a outras pessoas. E depois o meu lugar não é aqui, a minha profissão não é esta. Acho que tenho de ir para o meu lugar” (sublinhado meu). À pergunta do jornalista sobre qual o seu plano seguinte, respondeu, sorrindo: “Os meus netos”.
Embora o ser membro do
Governo não seja considerado como profissão, façamos de conta que sim, porque
isso em nada diminui o desprendimento da ministra pelas honrarias e benesses do
cargo e a sua generosidade em “dar o lugar a outras pessoas”. A esse desapego
por tais mundanidades chamam as bem-aventuranças evangélicas “pobreza de
espírito”, e também se designa por “pobreza franciscana”, por ter sido um frade
de nome Francisco um dos seus mais altos expoentes. E eu tenho para mim, cá no
meu íntimo, que não é mero acaso o facto da ministra também se chamar Francisca.
Por tudo isto me custa a
crer que haja gente capaz de malsinar os sentimentos cristãos da virtuosa
senhora, insinuando coisas como estas, que eu já ouvi: como boa entendedora que
é, Francisca já terá topado que António Costa a tenciona desencostar; ora como
ela, além de boa entendedora, também é boa a fazer-se entender, apressou-se a
dizer o que disse para que entendêssemos que não foi António Costa a
desencostá-la, foi ela que se desencostou.
Dizem ainda as más
línguas que, se ela vem arrostando com os sacrifícios que a “profissão”
comporta, não é pelos lindos olhos da pasta ministerial, mas por mor de outra
pasta, a de metal. Mas eu ponho as mãos no lume pela sua sinceridade. Notem que
ela tem sido ministra não só com prejuízos para si própria, mas com graves
repercussões para os seus familiares. Não deixa de causar dó a carência
afectiva dos seus netinhos por falta de comparência da vovó com os seus
carinhos.
No que toca à tal
“remodelação” que Van Dunem diz que esteve “combinada” e que António Costa
sempre negou, é evidente a galga por parte de um dos dois. Quanto a mim, não
tenho quaisquer dúvidas de que tal patranha pertence a António Costa; a patranha
é nele congénita, é o seu idioelecto, a sua marca de água.
Termino augurando à iminente ex-ministra Van Dunem uma aposentação “posta em sossego” e na afectuosa envolvência dos seus netinhos. Bem a merece, porque governantas como ela não há muitas. Reparem que, conhecendo por experiência própria quão espinhoso é o desempenho de certos lugares, fez os possíveis e os impossíveis para evitar que a Dr. Ana Carla Almeida fosse sujeita a tais suplícios, opondo-se a que preenchesse o lugar que lhe estava destinado no Conselho Europeu, lugar que teve de ser ocupado, com menos sorte, pelo Dr. José Guerra. São os caprichos do destino: males que vêm por bem e bens que vêm por mal.
________________________________________________________________________
*Utilizo a forma feminina da palavra, obedecendo aos conceitos politicamente mais correctos sobre os géneros, e seguindo o exemplo pioneiro de Dilma Rousseff, que se autochamava “Presidenta” do Brasil. Não confundir com governanta doméstica, sem embargo da domesticidade que Van Dunem revela nas suas palavras a seguir transcritas.
Vinte e quatro de Novembrodia que no calendárioassinalo entre os demais,por ser o aniversáriodo meu amigo do peitoque é o Amílcar Morais.
Daqui lhe envio um abraço,o felicito e lhe auguroque perfaça muitos anos,sempre opimos e bacanos,por longuíssimo futuro.
Flávio Vara
Se é incapaz de
morder,
se nem se atreve a
ladrar
e unicamente se
assanha
se houver alguém prò
picar,
se a tal ponto nos
defrauda
que perante o
assaltante
se mostra colaborante
e até lhe abana a
cauda,
então vamos enxotá-lo,
pois temos mais que
fazer
do que andar sempre a
picá-lo.
Faz-me sempre muita espécie, acho mesmo repugnante saber que certos artistas se digam não comunistas e vão à festa do Avante. ...